quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Alerta, mas sem alarmismo

Por vezes ficamos demasiado mudas...
Mas o Verão deve ser aproveitado em todo o seu esplendor...
Mas hoje está a chover, o frio a chegar, a Troika, os cortes, o desemprego...enfim dias negros no nosso horizonte que, infelizmente, este ano, não são apenas os característicos do Inverno que se aproxima a passos largos...


 
Deixo-vos com uma pequena história, que pode ter outras leituras...

"Agora que todos têm um míssil balístico pessoal de longo alcance em casa, é engraçado ver como já ninguém lhes dá importância. No início distribuíram-nos à sorte. Nessa altura, foi muito excitante: uma pessoa, nossa conhecida, recebe uma carta do governo e, ao fim de uma semana de espera, um camião vinha entregar-lhe o míssil. Depois, nas casas de cada esquina era preciso que houvesse um. A seguir, nas casas do lado. Até que se chegou ao ponto de, hoje em dia, parecer raro que alguém não tenha um míssil no telheiro do jardim ou no estendal da roupa.

Sabe-se por que é que lá estão… Mas temos uma ideia aproximada… É que devemos proteger a nossa forma de vida num mundo cada vez mais hostil. Todos devem participar na segurança nacional (aliviando assim a pressão em que se acham os armazéns de material de guerra) e, acima de tudo, todos têm direito a sentir que estão a contribuir com o seu diminuto grão de areia. É uma pequena ajuda. Basta apenas limpar e encerar o míssil no primeiro domingo de cada mês e, de vez em quando, deitar uma olhadela ao indicador do nível do óleo. E, uma vez num intervalo de vários anos, recebe-se uma encomenda com um kit completo de pintura, sinal evidente de que chegou a altura de eliminar qualquer ponto de oxidação e de lhe dar uma mão de pintura cor de chumbo.

Não obstante, muitas pessoas começaram a pintar os mísseis com outras cores e até há quem se tenha atrevido a pintá-los com desenhos de borboletas e flores. É que ocupam tanto espaço no jardim que o mínimo que se pode fazer é pô-los bonitos. Além de que os panfletos governamentais não proíbem a utilização doutros tipos de pintura diferentes dos enviados.

Ultimamente, é costume cobri-los de luzes pelo Natal. Seria bom subir de noite a uma montanha e  ver as centenas de pontinhos acesos a brilhar e a pestanejar na escuridão.

Além disso, o míssil do jardim pode ter uma enorme quantidade de usos práticos. Quem desapertar a tampa inferior e retirar os fios e o resto, pode utilizar o espaço para guardar sementes, ferramentas, molas de roupa ou lenha. Se for alterado um pouco mais, pode-se facilmente fazer dele uma fantástica cabana-foguetão espacial e, quem tiver cão, arranja assim uma casota de graça. Numa casa, até houve quem lhe pusesse uma chaminé na parte de cima e usasse o míssil como forno de fazer pizas.

Sim, todos sabemos que, no dia em que o governo decidir usá-los, os mísseis já não irão funcionar, mas com o passar do tempo já não nos preocupamos com isso. Afinal, a maioria das pessoas tem a sensação de que assim é melhor. Sobretudo, esperamos que, no outro lado do mundo onde as famílias têm mísseis no jardim de casa, armados e apontados para nós, também elas tenham encontrado para eles aplicações muito melhores."



Shaun Tan

Cuentos de la periferia
Arcos de la Frontera, Barbara Fiore Editora, 2008
(Tradução e adaptação)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Uma das coisas boas do Verão

A que não consigo resistir...


terça-feira, 21 de junho de 2011

CHEGOU O VERÃO!!!!!!!

Para muitas pessoas poderá ser um dia igual aos outros, para outros um marco (psicológico é verdade...) mas essencial.
É o meu caso!
Preciso tanto do Sol como qualquer planta para fazer a fotossíntese...
Calor é satisfação... altura de viver sem frio... de dias longos... noites tépidas... esplanadas... amigos... cervejas... estrelas...
Enfim...é tempo de viver a vida.
Aproveitemos pois que só dura 3 meses!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Os trabalhadores e os outros...

Como funciona o Mundo Corporativo...


Uma bela história que me enviaram, que aqui partilho...

"Todos os dias, uma formiga chegava cedinho ao escritório
e pegava a sério no trabalho
A formiga era produtiva e feliz.
O gerente besouro estranhou a formiga trabalhar sem supervisão.
Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada.

E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.
A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga.
Pouco depois, a barata precisou de uma secretária para ajudar a
preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefónicas.

O besouro ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também
gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões.

A barata, então, contratou uma mosca, comprou um computador com impressora colorida.
Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a lamentar-se de toda aquela
movimentação de papéis e reuniões!

O besouro concluiu que era o momento de criar a função de gestor para
a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava.

O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar uma carpete no seu
escritório e comprar uma cadeira especial..

A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de
uma assistente, a pulga (sua assistente na empresa anterior)
para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e o
controlo do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já
não cantarolava e cada vez ia ficando mais aborrecida.

A cigarra, então, convenceu o gerente besouro, que era preciso fazer
um estudo do clima.

Mas, o besouro, ao rever as contas, deu-se conta de que a unidade na
qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja,
uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação.

A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório,
com vários volumes, que concluía: Há muita gente nesta empresa!!

E adivinhe quem o besouro mandou demitir?

A formiga, claro, porque andava muito desmotivada e aborrecida"

terça-feira, 26 de abril de 2011

O sol posto

Ouvi, outro dia, que para além do Sol posto estão as trevas, a morte, segundo as crenças de algumas tribos actuais.
A oposição noite/dia é assim associada à oposição morte/vida...
O Sol é fonte de vida, a Lua é a fonte da morte...
E o paraíso estará no local onde nasce o Sol (se é que algum deles consegue caminhar até lá), onde tudo cresce em abundância, onde não há frio (essa agrada-me), nem fome (esta também, sobretudo nos tempos que correm...), nem sede, nem dor (idem, mas por outras razões...).
Enfim, então o paraíso está no Sol Nascente e não no Pôr-do-Sol
Mas eu gosto de imaginar o que está para lá do Sol Posto!!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Felicidade...onde andará ela?

Felicidade Interiorizada
«Pergunta-me onde, neste mundo, se pode encontrar a felicidade?» Depois de numerosas experiências, convenci-me que ela reside apenas na satisfação em relação a nós próprios. As paixões não nos conseguem comunicar esse contentamento; desejamos sempre o impossível - o que obtemos nunca nos satisfaz. Penso que as pessoas dotadas de uma sólida virtude devem possuir uma grande porção dessa satisfação, que me parece imprescindível para a felicidade; eu, no entanto, como não me sinto suficientemente seguro para me satisfazer comigo próprio, dessa forma, procuro apoiar-me na verdadeira satisfação que comunica o trabalho.


Este, comunica-nos um bem real e aumenta a nossa indiferença em relação aos prazeres que são só de nome e com os quais as pessoas de sociedade se têm de contentar. Eis, minha querida amiga, a minha modesta filosofia - a qual, sobretudo quando me encontro bem de saúde, é de efeito seguro. Isto, contudo, não nos deve afastar das pequenas distracções que nos podem ocupar de vez em quando: um pequeno caso sentimental, de circunstância, a visita a um belo país ou as viagens, de modo geral, podem deixar na nossa memória encantadores traços. Recordamo-nos mais tarde de todas estas emoções, quando nos encontramos longe ou não conseguimos encontrar outras, semalhantes: elas constituem uma pequena provisão de felicidade para o futuro, qualquer que ele seja. "

Eugène Delacroix, in 'Diário'

sexta-feira, 18 de março de 2011



PRIMAVERA


Ela chega discreta

na metamorfose divina

com seus encantos, sua beleza

Seus varios perfumes,

com seu jeito peculiar.

Da vida ao seco

trazendo vigor da florada

uma eclosão de cores

num calor de amores

em uma brisa que enternece.

Crianças brincando na chuva

sobre um céu colorido

olhares sorridentes

pulsando nos movimentos

Ah, doce e bela primavera!
Patricia Tieko

quarta-feira, 9 de março de 2011

Paz...

















Quando preciso de pensar e carregar baterias... Só o mar tem essa capacidade!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Inverno...

... desisto !
Friorenta desesperada,
cansada de geadas matinais,
chuvas tardias e tosses noturnas,
procura URSO compatível para hibernação.
Promete-se pijama à altura, ressonar baixinho e simpático despertar.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A morte e os impostos

A morte e os impostos
por Daniel Oliveira


"Nos arredores de Lisboa, Augusta, que teria hoje 96 anos, morreu sem ninguém dar por nada. Nem família, nem amigos, nem serviços públicos.

Uma vizinha, e penas ela, bateu a todas as portas que pôde, por estranhar a sua ausência. Da família, da GNR, de todos, apenas a indiferença. Nem a segurança social, nem os serviços de saúde. Ninguém.

Era apenas uma velha num prédio de uns subúrbios. Passou oito anos a bater a portas. A burocracia impediu que alguém fizesse alguma coisa. A porta não podia ser arrombada. A GNR até gozou com a preocupação da vizinha. Coisas de velhos, terão pensado.

Mas Augusta, cidadã portuguesa, era também contribuinte. E aí deram por falta dela. Tinha uma dívida. Sem um único contacto, a frieza da máquina leiloou o seu apartamento. Quando os novos donos chegaram, a porta foi finalmente arrombada.
E lá estava Augusta, morta no chão da cozinha.

Tinha morrido há oito anos sem que ninguém tivesse dado ouvidos à vizinha.

O que impressiona, para além da solidão que permite que alguém morra sem que ninguém dê por nada, é que o mesmo Estado que dá pelo não pagamento de uma dívida ao fisco não dê, não queira dar, pelo desaparecimento de um ser humano.

Que o contribuinte exista, mas o cidadão não.

Que quem tinha a obrigação de pagar impostos tenha deixado de existir nos seus direitos. A metáfora é macabra. Mas é poderosa. Este Estado que não se esquece - não se deve esquecer - de nós quando é cobrador, mas para quem não existimos quando nos é devida alguma atenção.

Diz-se que só há duas coisas certas na vida: a morte e os impostos.

Parece que para o Estado português só a segunda parte é verdadeira."

Artigo publicado no Expresso Online


* A casa foi vendida por 30 000€ para pagar uma divida de menos de 1500€

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Amigos...

"Um dia a maioria de nós irá separar-se.


Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,

das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,

dos tantos risos e momentos que partilhámos.



Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das

vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim...

do companheirismo vivido.


Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.


Hoje já não tenho tanta certeza disso.

Em breve cada um vai para seu lado, seja

pelo destino ou por algum

desentendimento, segue a sua vida.


Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas

que trocaremos.

Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...

Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto

se tornar cada vez mais raro.


Vamo-nos perder no tempo...


Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e

perguntarão:

Quem são aquelas pessoas?

Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!


- Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons

anos da minha vida!

A saudade vai apertar bem dentro do peito.

Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...


Quando o nosso grupo estiver incompleto...

reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo.

E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.

Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes

daquele dia em diante.


Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a

sua vida isolada do passado.

E perder-nos-emos no tempo...


Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não

deixes que a vida

passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de

grandes tempestades...


Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem

morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem

todos os meus amigos!"
Fernando Pessoa

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sem palavras...

Colocar esta noticía, depois do meu último post é estranho, mas infelizmente esta é a realidade em que vivemos...
aquilo que está ao nosso lado e que nós não vemos, porque não temos capacidade ou simplesmente porque não queremos ver (como tantas outras coisas nas nossas vidas...)
mas a verdade está aí, nua e crua...e pode bater à porta de todos nós...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011